By Boi na Linha dezembro 22, 2025
Durante a conferência, iniciativas ligadas à transparência e rastreabilidade também ganharam espaço prático e simbólico. No Pará, por exemplo, a introdução de carne 100% rastreada, com controle de origem individual desde o animal até o alimento ao consumidor, avançou em parceria entre varejo, governo e indústria, com previsão de expansão para outras regiões.
A presença de instituições na Embrapa, durante a realização da AgriZone – espaço de tecnologia e inovação agrícola na COP30 – reforçou ainda mais o papel de soluções técnicas para redução de emissões e gestão sustentável da pecuária, evidenciando que é possível conciliar produção com metas climáticas em sistemas tropicais.
Embora os documentos formais aprovados na COP30 não tivessem um foco explícito em sistemas alimentares – tema que muitas organizações consideraram sub-representado nos textos finais -, os debates paralelos, os painéis técnicos e as demonstrações de campo evidenciaram que a transição da pecuária para modelos de baixo carbono e rastreabilidade avançada está sendo reconhecida como uma das respostas à crise climática, especialmente quando apoiada por ferramentas como protocolos auditáveis e sistemas de monitoramento robustos.
Nesse contexto, a agenda promovida pelo Boi na Linha se conecta tanto ao diálogo técnico quanto ao discurso político da conferência: não apenas porque fortalece a legitimidade de práticas auditáveis e transparentes, mas também porque contribui para colocar governo, mercado e sociedade civil em sintonia com as expectativas de investidores e compradores internacionais por produtos rastreados e responsáveis.
A COP30 também marcou a ampliação da visibilidade internacional do Beef on Track (BoT), sistema de certificação desenvolvido pelo Imaflora para identificar carne bovina produzida em conformidade socioambiental, com base em critérios auditáveis de rastreabilidade, legalidade e respeito aos territórios e às florestas. Lançado oficialmente em outubro, o BoT ganhou projeção durante a conferência, inclusive com a presença do mascote LabuBoT em Belém, simbolizando a aproximação do tema com o público mais amplo. O sistema traduz compromissos climáticos e socioambientais em critérios para o mercado, em sintonia com regulações internacionais e com a crescente demanda por cadeias pecuárias transparentes, livres de desmatamento e socialmente responsáveis.
Assim, a COP30 serviu para reafirmar que a pecuária responsável – medida por critérios auditáveis e alinhada a metas climáticas – é uma peça estratégica nas políticas de mitigação e adaptação, e que iniciativas como o Boi na Linha desempenham papel crucial ao traduzir compromissos em resultados verificáveis.
