By Boi na Linha março 31, 2025
![]() “A interação constante entre procuradores, Imaflora e frigoríficos é essencial para manter o alinhamento e avançar nos resultados”, Ricardo Negrini, procurador do MPF-PA |
A pecuária brasileira enfrenta um dilema persistente: como expandir a produção sem avançar sobre áreas protegidas da Amazônia? Para responder a esse desafio, o programa Boi na Linha busca tornar mais rigoroso o monitoramento da cadeia produtiva da carne, garantindo que frigoríficos cumpram compromissos socioambientais. A iniciativa fortalece o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne, acordo firmado entre o Ministério Público Federal (MPF) e empresas do setor para coibir a compra de gado proveniente de áreas desmatadas ilegalmente.
Criado em 2009, o TAC da Carne Legal foi um marco no controle ambiental da pecuária, estabelecendo critérios para impedir que frigoríficos adquirissem animais de propriedades embargadas por desmatamento. Com o tempo, o modelo se aprimorou: auditorias independentes e sistemas de rastreamento tornaram mais rígido o controle sobre fornecedores. “Os acordos evoluíram para serem mais exigentes e precisos, reduzindo a margem para irregularidades”, afirma o procurador Ricardo Negrini, do MPF no Pará. |
O Boi na Linha amplia o alcance dessa fiscalização ao unificar normas e criar diretrizes claras para monitoramento e auditoria nos estados amazônicos. Antes do programa, frigoríficos lidavam com regras fragmentadas, muitas vezes interpretadas de forma desigual. “Agora, há um protocolo consolidado, que traz mais segurança para o setor e melhora a eficiência da fiscalização”, explica Negrini.
Apesar dos avanços, um dos principais desafios continua sendo o rastreamento do gado ao longo da cadeia produtiva. Muitos animais passam por várias propriedades antes do abate, dificultando a verificação de sua origem. “Monitorar os fornecedores indiretos ainda é um gargalo crítico”, reconhece o procurador. A qualidade dos dados ambientais fornecidos pelos estados também varia, exigindo um esforço contínuo para padronização e cruzamento de informações.
As auditorias, no entanto, são consideradas o coração do programa. Realizadas por empresas independentes, elas verificam se os frigoríficos estão cumprindo os compromissos assumidos nos TACs. “As auditorias são a peça principal dessa engrenagem. Sem elas, não há como comprovar a efetividade dos acordos”, ressaltou Negrini. O Boi na Linha oferece capacitação para as empresas de auditoria, garantindo que entendam os detalhes dos protocolos e dos acordos.
Em janeiro deste ano, foi lançado o Protocolo 2.0 de Monitoramento, que representa mais um avanço no programa. “O protocolo é um instrumento vivo, sempre em revisão para incorporar novas tecnologias e metodologias”, explicou Negrini. A versão atual já enfrenta desafios como o monitoramento de fornecedores indiretos, mas o procurador acredita que futuras versões trarão soluções para problemas ainda pendentes.
O trabalho do MPF, em parceria com o Imaflora e outras instituições, tem sido fundamental para consolidar o Boi na Linha como uma ferramenta eficaz na promoção da sustentabilidade. “A interação constante entre os procuradores, o Imaflora e os frigoríficos é essencial para manter o alinhamento e avançar nos resultados”, concluiu Negrini.
Com um território vasto e realidades diversas, a Amazônia exige esforços contínuos para garantir que a produção de carne não comprometa o meio ambiente. O Boi na Linha, com seu foco em transparência, monitoramento e auditoria, é um exemplo de como a colaboração entre setores pode gerar impactos positivos para a preservação ambiental e a economia local.
Para o futuro, a expectativa é que o programa continue evoluindo, incorporando novas tecnologias e expandindo sua atuação para outros estados da Amazônia. “Ainda há muito a ser feito, mas estamos no caminho certo”, finalizou Negrini.
